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Momento Mágico! Chegamos ao México

Atualizado: Abr 8


Projeto Ciclos – Diário de bordo 43.

Vinte e quatro de março de dois mil e dezessete; exatamente dois anos depois de começar a viagem nós cruzamos a fronteira entre Belize e México. Esta seria nossa última fronteira com o Projeto Ciclos. Nesta data especial para nós cumprimos nosso sonho. Um dia de festa, um dia de emoções à flor da pele, um dia de sentimentos e sensações desencontradas e desejadas.

Era tanta emoção que a Marcela foi repreendida na imigração ao tomar uma foto de um papel que estávamos preenchendo para entrar no país; depois o Alan perdeu a bandeira do Brasil que levava na bicicleta desde o Brasil e teve que voltar um quilômetro pela contramão na rodovia para encontrá-la estendida no chão, e como se isso não bastasse, ainda tomamos um caminho equivocado e demos uma volta subindo numa ponte que dava em lugar nenhum, hahaha.

Nos primeiros quilômetros em território mexicano nos dirigimos a Bacalar, uma cidadezinha pequena e mágica, um dos Pueblos Mágicos mexicanos (povoados turísticos únicos por sua beleza, cultura e/ou gastronomia). Sua lagoa de agua azul turquesa foi a maneira que o México encontrou para receber-nos. Ficamos alguns dias por lá em um hostel camping com ótima infraestrutura, e foi lá que começamos a refletir sobre o tamanho de nossa aventura, e também foi onde a Marcela comeu sua primeira tortilla mexicana (tem o formato da tapioca brasileira, mas é feita com uma massa de milho, e é acompanhamento do café-da-manhã, almoço e jantar mexicanos; é a base da alimentação nacional).

Saímos de Bacalar com destino a Tulum, cidade que seria nosso ponto final em bicicleta. Viajar a dois é uma negociação constante, é a arte de política, de obter algo e ceder algo, hehehe, e foi assim que definimos que nosso ponto final em bicicleta seria Tulum. Se quiséssemos continuar viajando pelo país, seria de carona ou de ônibus.

São 220km que separam Bacalar e Tulum. Assim, planejamos 2 paradas antes do nosso destino. Em nosso primeiro dia pedalamos 73km em uma estrada plana, simples, movimentada e com calor sufocante. Não tínhamos um lugar para chegar, mas a Marcela, pesquisando no Google Maps, encontrou um restaurante de beira de estrada que oferecia um espaço para camping e ducha gratuitos. Além disso, vimos que um cicloturista havia estado por lá e recomendava... Não tivemos dúvidas em rumar para lá. Lugar simples, com ducha, realmente grátis, e ainda tínhamos a companhia de 15 cachorros para alegria da Marcela. Como forma de agradecer, e também para não cozinhar, fomos comer no restaurante da família. Comida simples e mexicana, acompanhada de dois litros de agua de coco gelada!!

Ao despertar, depois de uma noite com muitos latidos, seguimos para a cidade de Felipe Carrillo onde ficamos uma noite em um hotel da cidade para descansar da noite mal dormida e poder seguir. Como a viagem se aproximava do final, relaxamos e utilizamos mais hospedagens pagas do que no início. Nossa ideia, saindo de Carrillo, era chegar até uma pequena cidade que está 20km antes de Tulum. Pedalamos 79km com muito sol, pouca sombra, vento quente contra e chegamos a Muyil e... não encontramos nada! Nem hospedagem, nem espaço tranquilo e seguro para acampar. Diante do inesperado, resolvemos seguir para Tulum, onde tínhamos um amigo de amigo (foram tantos na viagem) chamado Rodrigo, que iria nos receber no próximo dia. Adiantados e sem internet para comunicação fomos a um restaurante para usar o wifi e comer algo. Restaurante de frutos do mar, quase nada vegetariano, valor alto para o nosso orçamento, mas ao menos tinha internet e aproveitamos para localizar nosso amigo e anotar o seu endereço.

Ficamos uma semana na casa dele e da Nádia, aproveitamos para conhecer o mar Caribe, as ruínas maias da cidade e visitar uma das centenas de Cenotes que há na região, uma experiência linda e incrível. Estes passeios fizemos em um dia, e nos outros 6 ficamos na casa descansando e economizando. É necessário estar preparado financeiramente para fazer turismo nessa região, conhecida como península de Yucatan, que é considerada a região mais cara do México e é voltada para o público estrangeiro.

Deixamos Maria e Joaquina, nossas bicicletas queridas, na casa do Rodrigo (valeu Rodrigo e Nádia!!) e seguimos para a capital. Nossa ideia era tentar chegar até a Cidade do México pedindo carona. Então acordamos cedo e fomos para a nova aventura. Demoramos dois dias para pisar na capital. No primeiro dia pegamos 5 caronas para chegar na cidade de Villahermosa, hahaha. Na última e mais longa, subimos no caminhão do Angel. Foram 10 horas numa velocidade que não passava dos 80. Longa estrada reta, calor, paisagem idêntica, noites mal dormidas... todos os requisitos necessários para atrair o sono e a distração no volante. Para evitar isso, nosso amigo caminhoneiro parou em uma lanchonete de beira de estrada e pediu um café com alguma coisa que não entendemos o que era. Pensamos que talvez fosse alguma comida que não conhecíamos e lhe perguntamos o que havia pedido (pois tínhamos fome e talvez poderíamos pedir algo igual), e ele disse que eram comprimidos para não dormir. Assim ele consegue cumprir com as longas jornadas de trabalho exigidas pela empresa. E pensa que ele estava reclamando? Não! Estava muito feliz por ter carteira assinada, pois, segundo ele, esse era o melhor trabalho que ele já teve.

Chegamos a Villahermosa às 11 da noite, e fomos parar num motel. A ideia de seguir pedindo carona (e o limite de tempo de oito horas no Motel) nos fez levantar bem cedo; andamos até a saída da cidade, conseguimos uma carona de uns 20 km e aí ficamos até o meio-dia, quando por fim resolvemos subir em um ônibus. Valeu a experiência! O calor úmido que fazia naquele lugar pela tarde era incrível... Era tanto que a Marcela começou a se sentir mal. Terminamos nos “salvando” pelo ar-condicionado de um supermercado, onde nos sentamos para comer e o Alan se enchiló, ou seja, comeu uma pimenta muito forte e começou a chorar pelos olhos e pelo nariz, hahaha, e ficou com a cara vermelha... não havia ar condicionado que pudesse esfriá-lo, ficou mais quente do que lá fora!!

Chegamos na capital, nosso destino era a casa dos nossos amigos Diego e Bruna, do TIBÁ (www.tibarose.com). Lá tivemos muito amor, carinho, conforto, alegria das crianças (a Luna e o Martín) e aproveitamos para descansar, conversar, planejar, passear. A princípio seriam duas semanas com eles, mas acabamos ficando 3 semanas. Foi lindo compartilhar com eles um pouco da nossa viagem e eles compartilharem conosco um pouco da vida e de seus sonhos. Aproveitamos para visitar o pueblo mágico de Tepoztlán, onde vive Simmone, irmã do Diego e também onde Alan havia estado como voluntário há 6 anos, em uma empresa/ONG chamada SARAR Transformación. Visitamos SARAR, e uma possibilidade de regressar à cidade para trabalhar em algumas semanas nos deixou muito animados e felizes.

Da capital seguimos para a grande cidade de Puebla, onde tínhamos um grande amigo que queríamos rever, o Martín. Estivemos lá por 5 dias e o ajudamos um pouco numa construção com bambu que ele estava terminando, passeamos pela cidade, conhecemos seus projetos e participamos de um curso de pinturas e acabados naturais. Tudo isso numa intensidade e qualidade que só quem conhece o Martín saberá do que estamos falando... Grande Martín, uma figura!!!

Mais 5 horas de viagem e... Chegamos a Oaxaca (leia-se: “Guarraca”). Ah Oaxaca!!! Como este estado é bonito, quanta cultura, quantas cores, comidas deliciosas, música boa, um estado completo, como diriam em Honduras. Estivemos uma semana entre a capital do estado, que leva o mesmo nome, e um pequeno povoado na serra sul do estado. Na capital encontramos uma amiga do Alan, a Tajeew, que conseguiu um lugar para a gente dormir num apartamento de amigos dela bem no centro da cidade \o/. Visitamos as pirâmides de Monte Albán, mercados cheios de cheiros, cores e sabores, praças cheias de vida, igrejas coloniais e povoados turísticos dos arredores (ao menos dois dos infinitos que existem); artesanato de primeira qualidade, tecidos, mezcal (uma bebida destilada do agave, parecida com a tequila), arte e mais arte. Depois seguimos para San Miguel Suchixtepec, um povoado nas montanhas. Alan viveu neste Pueblo em 2011, quando era voluntário em um projeto de saneamento ecológico. Chegamos justo quando começava uma festa do pueblo, e fomos acolhidos pelos lindos amigos Toño e Blanka. Muitas bandas, comida gratuita, bailes, jogos, bebidas, frio, névoa, e uma vista que deixa qualquer um de boca aberta, pois o povoado está situado no alto da serra; nos sentíamos em cima das nuvens!

Passados 2 dias, retornamos a Tulum e logo levamos nossas bicicletas a Tepoztlán, a mesma Tepoztlán onde, há seis anos, o Alan viu pela primeira vez uma pessoa viajando de bicicleta (e onde aprendeu sobre “fechar o ciclo de nutrientes”). Ali foi gerada a semente desta viagem e ali a viagem chegou ao fim, o Projeto Ciclos.

Um ciclo se encerra, e um novo ciclo nasce; uma nova aventura que estamos prontos para viver com paixão, com alguns medos, com muitas incertezas, mas com a alegria de poder escolher o caminho que queremos seguir...

“Quem disse

que eu não posso fazer tudo?

Bem, eu posso tentar.

E enquanto eu vou seguindo, eu começo a descobrir

que as coisas nem sempre são o que parecem”

“Eu quero virar tudo de cabeça para baixo.

Encontrarei as coisas

que eles dizem que não podem ser encontradas.

Compartilharei este amor que encontro com todo mundo.

Nós cantaremos e dançaremos canções para Mãe Natureza.

Eu não quero que este sentimento vá embora”

– Jack Johnson

Informações da Viagem

Mapa do trajeto no México:

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