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Uma pontinha da Guatemala

Atualizado: Abr 8


Projeto Ciclos – Diário de bordo 41.

Este é o Diário de Bordo mais curto da viagem, pois se trata do período em que estivemos na Guatemala, três dias.

Era 8 de março de 2017, dia Internacional da Mulher. Despertamos às 5:30 da manhã, organizamos nossas coisas e saímos da boa hospedagem onde havíamos dormido. No dia anterior havíamos deixado uma bíblia num ponto de ônibus ao lado da estrada, para que alguém a pegasse, e quando passamos por lá neste novo dia ela já não estava.

Há alguns meses eu estava com vontade de ler o livro mais famoso da humanidade, a bíblia, desde uma perspectiva histórica. Num domingo de manhã, quando estávamos na Nicarágua, em Manágua, alguém tocou na nossa porta. Eu abri e vi dois senhores, que se apresentaram como pertencentes às Testemunhas de Jeová. Começamos a conversar e em algum momento eu lhes comentei que tinha vontade de ler a bíblia. Nos despedimos e, trinta minutos depois, eles voltaram e nos presentearam com uma. Eu estava lendo neste momento um livro de Nelson Mandela, mas deixei a bíblia guardada.

Depois, em Honduras, na casa de nossa amiga Gabriela, católica, estivemos falando sobre religião e espiritualidade, e lhe comentei que havíamos ganhado esta bíblia, e ela nos disse: “se querem uma bíblia católica latinoamericana eu lhes posso dar essa da minha irmã, que não a usa”. Resolvemos aceitar o presente. Foi assim que o meu pensamento se transformou em realidade. Eu queria ler a bíblia, e alguns meses depois tinha duas nas mãos. Como não fazia muito sentido levar duas bíblias, muito menos numa viagem de bicicleta onde cada peso representa um maior esforço, deixamos uma delas nesse ponto de ônibus de presente para alguém.

Caminho tranquilo e plano até a fronteira, que estava vazia. Carimbamos o passaporte com o selo de saída de Honduras e seguimos. Estranhamente, a Aduana da Guatemala nunca aparecia. Estávamos numa espécie de terra sem dono, uma zona de transição, pois já havíamos saído oficialmente de Honduras, mas não havíamos ainda entrado na Guatemala. Seguimos pedalando; 12 km depois, vimos uma casinha ao lado da estrada onde estava escrito “Migración”, e paramos. Ali carimbamos a entrada no país e trocamos um pouco de dinheiro (desta vez não nos cobraram nada para sair de um país nem para entrar no outro). Agora sim, estávamos oficialmente na Guatemala!

Pedalamos por 65km numa estrada que bem poderia ser de Honduras, já que não sentimos nenhuma grande mudança ao cruzar a fronteira. Alguns quilômetros antes de Puerto Barrios, uma cidade que está na ponta leste do país, encontramos trânsito pesado e estrada ruim. Este era nosso destino do dia e também a única cidade onde estaríamos na Guatemala.

Na cidade há um porto; talvez o grande fluxo de mercadorias e pessoas que ele atrai afeta o custo de vida da cidade, pois ela não é bonita nem organizada, mas, apesar disso, os preços de hospedagens e da comida em geral nos pareceram altos. Acabamos encontrando uma hospedagem a 100 quetzales (aproximadamente 50 reais), com banheiro e televisão, mas ao lado de uma avenida barulhenta 24 horas por dia, e com algumas baratas... Sim, baratas. Reorganizando as camas no espaço para caber nossas bicicletas, mexi na cabeceira da cama e três baratas saíram dela. Ficamos ali pois não tínhamos ânimo de ir buscar outro lugar, e porque o jogo do Barcelona contra o Paris Saint Germain iria começar, e queríamos vê-lo, hehehe.

No outro dia saímos cedo para buscar outra hospedagem, mas não encontramos nada melhor a esse preço. Na terceira noite no mesmo hotel mudamos para um quarto de 60 quetzales, sem TV e com banheiro compartilhado, e com baratinhas, que apareceram ao mover uma mesinha.

Muita chuva acompanhou nossos dias na Guatemala, o que nos causou incerteza sobre quando poderíamos cruzar a Belize, pois iríamos em barco de Puerto Barrios a Punta Gorda; um trajeto que não queríamos fazer debaixo de chuva. Assim, depois de três noites, e confiando na previsão do tempo, resolvemos partir.

Para sair da Guatemala por via marítima tivemos que pagar 80 quetzales (aproximadamente 40 reais) por pessoa na migração, mais 200 quetzales por pessoa no barco, mais 25 quetzales por bicicleta. Haviam três horários diários desde o píer da cidade, o barco é pequeno, para umas 15 pessoas, e o trajeto é de uma hora e meia entre Puerto Barrios, na Guatemala, e Punta Gorda, em Belize. A viagem foi tranquila, com o mar um pouco mais movido nos últimos 30 minutos. No meio do caminho ameaçou chover, e os “marinheiros” (eram três!) rapidamente sacaram uma lona para cobrir as maletas e deram plásticos para os passageiros protegerem suas pernas. Um serviço de luxo, hahaha.

Nossa primeira impressão da “desconhecida” Belize foi positiva, mas isso deixamos para o Diário de Bordo 42.

Vamo que vamo!!

Informações da viagem:

Mapa do trajeto:

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