• Alan Mortean

2016, um ano de trabalho!

Atualizado: Abr 8


Projeto Ciclos - Diário de bordo 21

No dia 1 de janeiro, ao meio dia eu começaria a trabalhar num restaurante italiano na cidade litorânea de El Quisco, há cerca de 80km de Valparaiso. Esse emprego de verão, que duraria os meses de janeiro e fevereiro, eu consegui através de José, o mexicano que nos recebeu em sua casa quando passamos por ali de bicicleta há pouco mais de um mês atrás (mais informações sobre nossa estadia lá podem ser vistas nos Diários de Bordo 18 e 19). Agora nós estávamos voltando para trabalhar e ficar mais uma vez em sua casa.

Valparaiso estava completamente lotada de pessoas, que chegaram à cidade aos milhares para ver o espetáculo de fogos de ano novo; então prevíamos um pouco de dificuldade para tomar um ônibus nesse dia.

Foto 1: Festa de fim de ano em Valparaiso.

Nos despertamos bem cedo e seguimos rumo à rodoviária. Ela estava cheia, e imagino que cerca de 50% das pessoas ali não haviam dormido a última noite. Apesar de tanta gente em pé, sentada, deitada, dormindo e desperta, apenas um dos guichês das companhias de ônibus tinha fila para comprar a passagem. Conforme caminhávamos pela rodoviária e nos aproximávamos da fila, notamos que ela era justamente para o ônibus que ia para El Quisco, hahaha. Fiquei na fila cerca de 40 minutos e comprei a passagem do segundo ônibus, beleza! Enquanto eu estava na fila, um cara veio me perguntar uma informação; ele tava com uma mistura de bafo com álcool tão forte que eu quase não consegui prestar atenção à pergunta.

Quando subimos no bus a Marcela viu que nossas poltronas estavam ocupadas... eita... “não posso chegar atrasado no primeiro dia de trabalho, pensava”. Para que cada passageiro se sentasse em sua poltrona, o motorista teve que interferir, e foi necessário remanejar umas 6 ou 8 pessoas.

Foto 2: Primeiro dia de trabalho.

Chegamos cedo em El Quisco, aproximadamente às nove da manhã, e demos com o portão da casa de Jose trancado. Ele é veterinário, sua casa e sua clínica estão no mesmo terreno; ele havia deixado uma placa no portão dizendo algo como “Estamos fechados, não fique gritando alô alô alô. Reabriremos dia tal”. Depois de ler essa placa, lhe chamamos timidamente, mas não tivemos resposta. Então pulei o pequeno portão, me dirigi até a porta dos fundos da casa, e ele e a Alia (sua esposa) apareceram com as cabeças na janela buscando quem estava perambulando pelo seu quintal.

Antes de sair eu ainda tinha que montar as bicicletas, que tínhamos levado para a casa de José quando a família da Marcela veio nos visitar em Valparaiso. Elas estavam quase totalmente desmontadas. Como acontece quase sempre, remontar foi um pouco mais difícil do que eu pensava, e eu acabei indo para o restaurante com minha bicicleta sem o freio traseiro, e com uma folga no guidão, hahaha; “detalhes” que consertei no outro dia. Depois de uns 30 minutos de pedal finalmente cheguei ao restaurante, pronto para meu primeiro dia de trabalho.

Minha função era simples: lavar pratos. Trabalhei das 13 às 18:30, e terminei atordoado... eu nunca tinha lavado tantos pratos, talheres, copos, taças, potinhos e xícaras em toda minha vida. A quantidade era impressionante; sábado e domingo foi igual. O restaurante abre de terça a domingo para o almoço e para o jantar, mas o movimento nesse fim de semana foi tão grande que ele não abriu no domingo à noite nem na terça-feira, por falta de estoque. Assim, voltei ao trabalho apenas na quarta-feira.

Foto 3: Estacionamento dos funcionários. :)

Nesses dias a Marcela estava com cólicas pré-menstruais e ficou na casa. Quando ela melhorou também foi buscar um emprego (como é verão e estamos no litoral, há muitos turistas por aqui, principalmente nos finais de semana, e conseguir um emprego é relativamente fácil). Quase foi para um lugar que vendia empanadas, depois trabalhou num restaurante por dois dias e o dono lhe pagou uma mixaria. Ao final ela veio trabalhar no mesmo restaurante que eu, e numa ótima posição, pois ela é auxiliar da cheff.

Foto 4 : Voltando para casa.

Eu trabalho no almoço e a Marcela trabalha no jantar, até meia-noite aproximadamente. Nossa casa está há uns 8km do trabalho, e para ela não voltar pedalando sozinha, eu permaneço no restaurante até ela sair, e voltamos juntos. Isso poderia ser um suplício, mas na realidade estou desfrutando, pois há um espaço confortável e aberto nos fundos do terreno, e com acesso (não muito confiável) à internet. Ali eu permaneço diariamente, usando o tempo disponível para escrever para o Blog, planejar a continuidade do Projeto Ciclos e aprender sobre webdesign.

Foto 5: É tempo de absorver as experiências...

Permanecer estes meses parados, e com uma rotina estabelecida, está sendo um prazer para nós, pois, além de estarmos aprendendo em nossos trabalhos, temos tempo para escrever e pesquisar sobre a viagem, e principalmente, estamos tendo tempo para absorver as experiências que temos tido até agora, nesses 10 meses e meio de Projeto Ciclos. Temos vontade de fazer muitas coisas, nos sentimos felizes e cheios de energia.

Vamo que vamo!!!

Informações da viagem:

Mapa do trecho

Dia 284 ao 314 - 01/01/2016 a 31/01/2016

De: Valparaiso, Chile

Para: El Quisco, Chile

Gastos até agora: (R$) 17030,86

Gastos por dia: (R$) 54,24

Distância pedalada até agora (km): 3319

Distância percorrida de carona, de ônibus, de barco e de trem até agora (km): 6923

Furos de pneu até agora: 11

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