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Nossa história nicaraguense

Atualizado: Abr 8


Projeto Ciclos – Diário de bordo 39.

Depois de pedalar os últimos 20 km da Costa Rica, Cruzamos a fronteira rumo à Nicarágua. Foi a primeira vez que nos pediram a vacina da febre amarela, devido ao surto que vive o Brasil, e uma vez mais tivemos que pagar o imposto de saída do pais. Desta vez nos cobraram, entre sair da Costa Rica e entrar na Nicarágua 19 dólares por pessoa, o que tem se tornado uma constante nos países centro americanos.

Nosso primeiro destino em terras nicaraguenses seria a casa de um brasileiro, Rafael, mineiro do interior que vive aqui há mais de um ano trabalhando na indústria da cana de açúcar. Muito simpático, nos ofereceu o conforto da sua casa e nos levou para conhecer uma das cidades mais turísticas da costa pacifica do novo país.

Nosso trajeto por este pais, que se apresentava plano e fácil de percorrer, estava sem definição. Planejávamos defini-lo com tranquilidade na casa do Rafael, mas não foi possível, pois ele viajaria à trabalho no outro dia e nós não poderíamos ficar em sua casa. Bem, são coisas que passam.

Levantamos às 5 da manhã com destino a algum lugar, hehehe, e eis que a viagem definiu seu próprio caminho... e a ajuda veio nada menos que do Brasil. Nossa amiga Kerli, médica brasileira que estudou em Cuba, nos apresentou Dixinia, nicaraguense que também estudou em Cuba e que vive no Brasil. Dixinia, mesmo distante e com fusos tão diferentes (Nicaragua em 4 horas menos que o Brasil) conseguiu nos ajudar contatando-nos com outros dois médicos chamados Juan e Diamantina. E assim nossa rota pela Nicaragua começou a ser formada.

Juan vive em Granada, cidade colonial e bastante turística, às margens do lago Nicaragua, cercada de vulcões em atividade. Chegamos à sua casa depois de 71km em uma estrada tranquila e plana, com vento que refrescava o calor centro americano e tornava muito agradável a pedalada. Chegamos à cidade cedo e tivemos tempo de conhecer o centro turístico e nos conectar, através do wifi grátis que existe nas praças públicas de Nicaragua, que maravilha!!!! Passamos duas noites na sua casa, descansamos, comemos comidas tradicionais, tomamos cerveja nacional e visitamos o vulcão Masaya que foi, sem dúvida, A Experiência. Este vulcão está ativo e é possível, desde um mirador localizado ao lado de sua cratera, observar o movimento magmático abaixo. Impressionante! Ficamos completamente deslumbrados com esta manifestação da natureza. Um sentimento parecido tivemos na Patagônia argentina quando visitamos o glaciar Perito Moreno. E tudo isso com um custo bem baixo; Nicaragua é considerada o pais mais econômico da América Central e neste dia realmente gozamos desta economia, visto que pagamos 20 reais por pessoa para entrar e ter um veículo particular que nos transportava pelo parque (não é permitido ir caminhando nem em bicicleta, pelo risco de erupção).

Tatiana é uma amiga do Alan, eles se conheceram no Mexico em 2011 durante um curso sobre saneamento ecológico; nicaraguense da capital Managua, ela nos convidou a estar alguns dias na sua cidade, nos conseguiu um lugar onde dormir e nos mostrou a cidade e os arredores. Estivemos 5 noites na capital, Marcela em seu período menstrual necessitava descansar, não desejava passar dores no caminho como havia ocorrido no Panamá. Durante estes dias conhecemos vários lugares turísticos dentro e fora da capital, conversamos sobre o movimento sandinista e a revolução (1979), conhecemos o mercado e um pouco da tradição e cultura de Nicaragua. Além disso, ela levou o Alan a conhecer o espaço onde será criado um centro demonstrativo de tecnologias de agua e saneamento, e puderam trocar ideias sobre onde instalar alguns banheiros secos. Como se isso não bastasse, Alejandra, sua sobrinha, nos contatou com o Diário Metro, de Managua, que publicou uma matéria sobre nossa viagem. Não temos palavra para agradecer o carinho que nos brindou Tatiana e sua sobrinha Alejandra, com seu namorado Paul. Aprendemos e aproveitamos muito. Muchas muchas gracias!!!

Partimos da capital rumo à cidade de León, antiga capital, e também uma cidade colonial turística. Os 90km que ligam as duas cidades pertencem à turística Ruta de los Vulcanes, ou seja tem muito vulcão em todo o trajeto; para nós que não estamos acostumados a isso, é sempre uma alegria ver um vulcão imponente e majestoso na paisagem.

Chegamos na cidade às duas da tarde, Marcela já recuperada do seu período menstrual começou a dar sinais de um resfriado. Léon já se encontra bem perto da fronteira e seria nossa penúltima cidade na Nicaragua, onde seríamos recebidos por Diamantina, também amiga da nossa amiga Dixinia, lembram? Ela nos recebeu em sua casa por 5 noites, até que a Marcela estivesse recuperada. Pertencendo a uma família católica, mas também revolucionária, com um tio que é padre e parentes que lutaram e que morreram durante a Revolução Sandinista, Diamantina nos contou muito sobre este período revolucionário e sobre o período político atual do país, em que o atual presidente (Daniel Ortega), está em seu terceiro mandato e tem a esposa como vice-presidenta... Foram dias de descanso, planejamento e reflexão.

Com a Marcela já recuperada, partimos rumo a Honduras. Seriam 115km até pertinho da fronteira, e assim fizemos. Chegamos à cidade fronteiriça durante a tarde e encontramos uma hospedagem econômica para passar nossa última noite neste pais, com direito a banho de caneca, pois não havia agua nos encanamentos, hehehe.

Aqui chegamos sem saber nada, deixamos que a Nicaragua se apresentasse, e ela se apresentou de uma maneira especial. Não tínhamos ideia de por onde iríamos passar, não tínhamos nenhuma informação concreta sobre o país, mas o girar de nossos pedais foi formando nossa história nicaraguense, com direito a grandes amigos, lugares inesquecíveis, história, revolução, cultura, e comidas deliciosas.

Sem dúvida voltaríamos aqui! Beijo!

Informações da viagem:

Mapa do trajeto:

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