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Conquistando nossa independência

Atualizado: Abr 15


Projeto Ciclos – Diário de bordo 31

Depois que deixamos Mariana no aeroporto, ainda estivemos duas noites em Cusco, onde, para não perder o costume, contamos com a ajuda de bons corações que nos ajudaram a empurrar a AlMa para ligá-la. Mas nem isso resolveu. Terminei mais uma vez caminhando na rua com a bateria nos ombros, buscando um lugar para carregá-la. AlMa desperta, aproveitamos para abastecer, calibrar os pneus, trocar o óleo e filtros, pois já haviam passado quase sete mil quilômetros desde a última troca. Assim, ela ficou pronta para seguir viagem!!

Nosso próximo destino era Lima, onde faríamos Couchsurfing. Para chegar lá, demoramos quatro dias (1.200km), sendo três dias subindo e descendo montanhas cheias de curvas, onde nossa velocidade média era de 40km/h. Passamos por paisagens lindas, as mais impressionantes numa planície que estava sobre as montanhas, a 4.500 metros sobre o nível do mar. Outro ponto alto do caminho foram umas águas termais que encontramos na beira da estrada; super quentes, nos deixaram super relaxados. Em todas as noites dormimos em postos de combustível.

Estivemos uma semana em Lima fazendo Couchsurfing na casa de André, que nos recebeu com bastante carinho, nos contou sobre a cidade, falamos sobre o Peru, sobre política e viagens. Cheio de energia e alegria, ele foi nosso guia na Plaza de las Aguas (a foto fala por si só) e no bairro boêmio de Lima chamado Barrancos, onde fomos a uma discoteca. Como se isso não fosse suficiente, em nossa despedida ele nos encheu de presentes, inclusive me deu uma linda camiseta oficial da seleção peruana de futebol. Valeu por tudo André!!

Em Lima ainda encontramos Pedro, nosso amigo uruguaio-israelita que conhecemos na Bolívia, no Ashram Chamánico Janajpacha, que nos convidou para um jantar com sua mãe. Antes de deixar a capital peruana, compramos uma nova bateria para a AlMa, pois a vida da antiga já havia terminado. Com bateria nova e ao nível do mar, já não tínhamos que nos preocupar em ligar a AlMa durante a noite ou madrugada.

Da capital, nos movemos a leste em direção a Cieneguilla, uma cidadezinha cheia de casas de campo; lá participaríamos de um curso de meditação de onze dias. Guiando-nos pelo GPS, terminamos nos perdendo, mas fomos salvos por um guarda para quem demos carona, e que nos guiou até a cidade, onde ele vivia. Esta noite ficamos em uma hospedagem por 30 soles, pois a Marcela queria tomar banho e não encontramos nenhuma ducha disponível.

Durante os últimos três anos escutamos amigos falando sobre meditação Vipássana em diversos momentos. Tínhamos vontade de fazer o curso, mas ainda não havíamos conseguido encaixar as datas, o que foi ocorrer agora, justamente durante a viagem. O curso foi uma experiência forte para nós, onde o maior desafio não foi ficar em silêncio por dez dias, mas meditar durante onze horas diárias.

Vipássana é um método de meditação ensinado por Sidarta Gautama, o último buda, há 2.500 anos, e hoje é ensinada em várias partes do mundo através desse curso padronizado de onze dias. Talvez no futuro escrivamos mais sobre esse tema... agora continuaremos viajando.

Terminado o curso, ficamos um dia mais na cidade para descansar e conversar sobre nossas experiências no curso. Nesse mesmo dia nosso fogareiro MSR Internationale, que usamos desde o primeiro dia de viagem, quebrou num ponto irreparável, o que nos forçaria a comprar uma peça de reposição, se houver. Quando isso aconteceu, minha primeira reação foi de surpresa, depois de cólera, pois não esperava que esse fogareiro tão recomendado e utilizado por vários cicloturistas e montanhistas ao redor do mundo quebraria assim. Minha terceira reação foi refletir, e percebi como eu era refém dessa tecnologia e da empresa MSR, a ponto de ser incapaz de reparar por conta própria o fogareiro. A partir daí, começamos a pensar juntos num fogareiro feito por nós, simples, funcional, e que possamos reparar em caso de quebra; e isso vem surtindo interessantes resultados.

Vamo que vamo, “a conquistar la verdadera independéncia”, já que “o mais rico é aquele que tem menos necessidades”.

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