• Marcela Mortean

Ashram Xamânico Janajpacha

Atualizado: Abr 8


Projeto Ciclos - Diário de bordo 27

Pôm...Pôm..Pôm..

Pôm. Pôm. Pôm

Cinco e quarenta e cinco da manhã e nos despertamos ao som do tambor, que nos convida a meditar. O céu ainda escuro, intensifica o brilho das estrelas; o frio silencioso e cortante nos faz agasalhar-nos; e os pássaros cantam, festejando o novo dia que acaba de começar.

Assim começavam nossos dias nestas últimas semanas em que estivemos no Ashram Xamânico Janajpacha. Chegamos tímidos como o frio, e aqui despertamos, com a mesma determinação invernal. Despertamos para a vida, crescemos para enfrentar o mundo, aprendemos que é preciso olhar para dentro, para nós mesmos, para o nosso poder interior, e assim, criamos forças para seguir nosso caminho, nosso ciclo.

Acredito muito no poder do pensamento, do querer e dizer ao universo para que este nos presenteie...desejei um lugar espiritual para acalmar minha alma, desejei reconectar-me com a mulher que sou, desejei estar em paz e ter força, e posso dizer que aos pés da montanha, no coração da Bolívia, Cochabamba, encontrei, digo, recebi do universo este lindo presente.

A comunidade ecológica ou escola, como sugere o fundador, tem como filosofia principal ensinar as pessoas a crescer e reaprender a viver. No ashram podemos nos trabalhar, nos permitir, crescer, desaprender e reaprender, tudo isso cercados de pessoas lindas com a mesma vontade, o mesmo desejo... como uma ilha repleta de alimento para o corpo e alma.

Chegamos no final do mês de abril para uma semana de trabalho voluntário, que se estendeu a duas semanas, e depois veio um irrecusável convite para permanecer até a Festa do Inti Raymi, que aconteceria no final do mês de junho; festa onde se comemora o ano novo inca, assim poderíamos participar das celebrações ancestrais e vivenciar de maneira intensa e real uma importante data para este misterioso e intrigante povo.

Aqui aprendemos um pouco sobre xamanismo. Quando eu pensava nesse tema, a imagem que me vinha à cabeça era um círculo de pessoas guiadas por um líder, consumindo plantas sagradas, que facilitavam sua conexão com a natureza e consigo mesmas. Porém, depois desta experiência em Janajpacha, aprendi que xamãs são pessoas de sabedoria, conectadas com os ancestrais, com a natureza, e principalmente com seu eu-interior; são líderes que têm como missão auxiliar as pessoas a se reconectarem consigo mesmas e reaprenderem a viver. O consumo de plantas sagradas não é obrigatório, pois há muitas maneiras de lograrmos essa reconexão.

Trabalhávamos 5 dias na semana, 5 horas por dia. Eu estava na cozinha, e entre uma boa música e um pouco de meditação, preparava pratos vegetarianos para nutrir meus companheiros, que se encontravam distribuídos em diversas funções. Alan ficou responsável pela tradução de livros para o português e de colocar legendas em vídeos feitos por Chamalú, fundador e líder espiritual de Janajpacha.

Praticamos o desapego, pois a todo momento chegavam lindas pessoas, com as quais laços fraternos estabelecíamos, e num piscar de olhos, um adeus surgia. Nos completávamos diariamente, numa família de diversas cores, idiomas e culturas, unidos pela mesma vontade de aprender e compartilhar.

Dançamos ao redor da fogueira, meditamos, conversamos, filosofamos, fizemos yoga, tomamos banhos de Sol e de Lua, jogamos futebol, lemos...lemos...e lemos muito. Janajpacha foi como a cereja de um delicioso bolo que é a Bolívia. Chegamos a este país cheios de expectativas e curiosidades, e vamos sair completamente encantados e com vontade de ficar...quem sabe num futuro?

Mapa da viagem:

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