• Alan Mortean

Argentina

Atualizado: Abr 8


“Hola hola hola

¿Qué tal?

Hermanos de Latinoamerica.

Hijos de la tierra,

del cielo,

del arroyo abuelo,

y fuertes sudestadas del mar.”

Foto 1: Obrigada Argentina!

Estes versos são do grupo argentino Jeites, música “Hola Hola”, e com eles começamos nosso texto sobre o que vimos na grande Argentina, nosso país-irmão latino-americano, onde viajamos por três meses: do início de agosto ao final de outubro de 2015 (além de junho, no trecho entre o Paraguai e o Uruguai).

Não tínhamos muitas expectativas quanto ao país, e ele nos surpreendeu em sua extensão (principalmente na região patagônica, no sul, onde as distâncias são muito grandes e qualquer viagem é de mil quilômetros), e na beleza e diversidade de paisagens.

Como nos textos que escrevemos sobre o Paraguai e sobre o Uruguai, as perguntas que nos nortearam para escrever este texto foram: como é o idioma falado na Argentina? Que moeda utiliza e quais são os seus custos? Como são suas estradas? Onde podemos dormir? É seguro viajar aí? Como é a alimentação argentina? Que lugares visitar?

O idioma

A língua oficial argentina é o espanhol, falada nos lares e ensinada nas escolas. Quando comparamos com o Paraguai, uma nação bilíngue com significativa influência indígena na cultura, a influência indígena nos costumes argentinos é significativamente menor, restringindo-se basicamente ao hábito de tomar mate (chimarrão).

Assim como o português de Portugal e o português brasileiro são diferentes, há variações entre o espanhol falado em cada país. A Argentina e o Uruguai se caracterizam pelas pessoas trocarem os sons de “lh” pelos de “ch”. Por exemplo, a frase “Eu me chamo Marcela”, seria dita no Paraguai como “iô me lhamo Marcela”, enquanto no Uruguai e na Argentina ela é dita “Chô me chamo Marcela”.

Moeda e gastos

A moeda argentina é o “Peso Argentino”; para visitar o país, convém vir com o máximo de dinheiro na mão, sejam Reais, Dólares ou Euros, para realizar a troca de moeda no mercado paralelo, também conhecido como mercado “blue” aos poucos. Em cidades grandes e em cidades turísticas é comum ver várias pessoas nas zonas centrais gritando “cambio, cambio”; são eles que fazem a troca de moedas utilizando a cotação paralela.

Foto 2: Moeda Argentina.

Como exemplo, no período em que estivemos no país, no mercado paralelo trocávamos R$1,00 por $4,00 (quatro pesos), enquanto no mercado oficial (casas de câmbio, caixas eletrônicos, qualquer pagamento com cartão de crédito ou débito) R$1,00 era trocado por $2,50. Nós não tínhamos dinheiro em espécie, então usamos a cotação oficial, sacando em caixas eletrônicos, o que fez com que a Argentina se convertesse no país mais caro da viagem até agora; mais caro, inclusive, que o Brasil.

Além disso, o cartão do Banco do Brasil não funciona bem aqui; normalmente tínhamos que tentar em cerca de três caixas eletrônicos diferentes até que algum deles aceitasse o cartão (o mesmo valia para efetuar compras com o cartão). O cartão Visa Travel Money da Marcela, nosso plano B, funcionou sempre que foi necessário.

Os preços dos produtos em geral são parecidos com os do Brasil quando se usa a cotação do mercado paralelo, mas há que se tomar em conta que, quanto mais ao sul mais caros os produtos se tornam. Os itens mais baratos são os derivados da farinha de trigo, a abóbora, a batata doce e a acelga (de folhas verdes, pode ser consumida depois de refogada). O vinho é bem mais barato que no Brasil; com $30,00 se comprava um bom vinho para os nossos padrões de exigência, =D.

Estradas

Nas regiões por onde passamos (nordeste, Ruta 14; leste, Ruta 3; e Patagônia, Ruta 40), o relevo é quase sempre plano. As montanhas estão reservadas à Cordilheira dos Andes, a oeste, que divide a Argentina e o Chile.

Foto 3: Ruta 3.

As estradas estão em bom estado e tem bom acostamento, com exceção do trecho entre Santo Tomé (província de Corrientes) e Chajarí (província de Entre Rios) que não tem acostamento. Ali não sentimos segurança (pelo acostamento inexistente e pelos motoristas de caminhão) na estrada e tomamos um ônibus. Quanto ao respeito à bicicleta, na Patagônia sentimos um respeito maior dos motoristas, como sentíamos no Paraguai e Uruguai.

Para dormir

A Argentina é um país grande e com uma grande população, como sempre mais concentrada na capital federal e nas capitais das províncias (equivalentes aos estados brasileiros). Nas cidades, por menor que seja, sempre há ao menos uma opção de hospedagem. Os Parques Nacionais da região patagônica estão bem preparados para acampamentos, oferecendo desde campings livres, que são apenas lugares demarcados para acampar (sem infraestrutura) até campings organizados (que funciona apenas em alta temporada, que é final da primavera e verão), que contam com grande infraestrutura, como churrasqueiras, banheiros, chuveiros com água quente, lugar para lavar roupa, minimercado, etc.

Segurança

Geralmente evitamos cidades muito grandes, e assim nos sentimos mais seguros. Além disso, em cidades grandes as pessoas tendem a ser mais desconfiadas, e pode ser mais difícil conseguir uma hospedagem gratuita, por exemplo. Dormimos em nossa barraca em postos de gasolina, no fundo de uma igreja, na beira da estrada, num terreno na zona rural e muitas vezes nos Parques Nacionais da Patagônia, sem nos sentirmos inseguros; dormimos até na casa de um policial que conhecemos no mesmo dia, na cidade de Carmen de Patagones, numa grande mostra de solidariedade.

Alimentação

A base da alimentação é o trigo e a carne de vaca, como no Uruguai. O pão acompanha todas as refeições; pizza e massas são fáceis de encontrar também, e o mate (chimarrão) está em todos os lugares que visitamos. Para vegetarianos há mais variedade de alimentos que no Uruguai, mas não se compara com o Brasil, e na região Patagônica encontram-se “dietéticas”, que são lojas de produtos naturais que vendem a granel. Em alguns lugares encontramos fécula de mandioca (polvilho doce), que usávamos para fazer tapiocas.

Foto 4: Um mate?

A receita vegetariana argentina que aprendemos foi o Tortilla de Acelga e repolho. Quer aprender também? Clique aqui.

O que visitar

Vimos muitos lugares lindos na Argentina, que nos impressionaram. Vimos campos, falésias onde milhares de louros fazem seus ninhos, estepes que se espalhavam além do horizonte, lagos (muitos lagos) oriundos de geleiras na Cordilheira dos Andes, o incrível glaciar Perito Moreno, bosques verdes com pinus e os lindos “arrayanes”, e montanhas com e sem neve. E, agora, fazendo esta lista, notamos que todos os lugares que sugerimos para visitar estão na Patagônia, que realmente nos impressionou. A Patagônia é uma região gigantesca que abarca todo o sul argentino e também chileno. Algumas de nossas sugestões de visita, aproximadamente em ordem espacial, do norte ao sul, são:

Ruta 40: uma estrada que liga o sul argentino (bem perto de Ushuaia, a última cidade da Argentina), ao norte até a divisa com a Bolívia, margeando a Cordilheira dos Andes. Seu encanto é cruzar diferentes paisagens e ecossistemas, que variam do úmido ao deserto, e zonas praticamente despovoadas, numa extensão de mais de 5.ooo km.

Carmen de Patagones e bandeira do brasil: na igreja de Carmen de Patagones há uma bandeira do Brasil, oriunda de um combate que aconteceu na cidade há séculos atrás, onde alguns navios brasileiros foram afundados, e uma das bandeiras ficou para a cidade como símbolo de sua vitória.

Alcantilados de Viedma: a algumas dezenas de Km da cidade de Viedma há os alcantilados (falésias), onde vivem milhares de louros, que formam um lindo espetáculo natural junto com o mar; um espetáculo que emocionou a Marcela.

Trem Patagônico: trem que liga a cidade de Viedma (na costa leste) à cidade de San Carlos de Bariloche, num trajeto de cerca de 15 horas. Sai do oceano atlântico, passa pela estepe e vai até a Cordilheira dos Andes. O trajeto é lindo e nos pareceu bastante romântico, passando por várias estações no caminho, apitando, e sacolejando suavemente por toda a noite; também é possível ir comer num restaurante que há dentro do trem enquanto observa-se a linda paisagem (a melhor hora para isso é no café-da-manha). Recomendamos a experiência!

Caminho dos sete lagos: está ao norte de Bariloche, ligando as cidades de Villa La Angostura e San Martin de los Andes por cerca de 110 km[OA4] . Está dentro dos Parques Nacionais Nahuel Huapi e Lanin. Ali se encontram vários motociclistas, cicloturistas e grupos de turistas em vans que fazem este lindo caminho para observar os maravilhosos lagos naturais formados pelo derretimento de gelo dos Andes. No caminho há vários campings.

San Carlos de Bariloche: a cidade é um reduto de brasileiros, que viajam para lá principalmente buscando a neve, nos meses de inverno. Está numa região simplesmente linda, com lagos, bosques e montanhas nevadas no inverno. O turismo está bastante desenvolvido aí, e há opções para todos os gostos e bolsos. É possível conhecer várias atrações sem gastar ou gastando pouco, principalmente para quem gosta de fazer caminhadas na montanha (trekking)... é um paraíso!!

Parques nacionais (Parque Lanin, Parque Nahuel Huapi, Parque Los Alerces, Parque Lago Puelo, Parque Los Glaciares): esses foram os parques que conhecemos na região patagônica; todos tem seu encanto, que giram em torno de lagos, bosques e montanhas nevadas, e foram realmente um espetáculo para os olhos para nós que nunca havíamos visto a neve. Normalmente se cobram taxas para entrada no verão, mas como visitamos todos no início da primavera, apenas pagamos entrada no Parque Los Glaciares. Para mais informações sobre os Parques Nacionais argentinos, visitar: http://www.parquesnacionales.gob.ar/

Estação de esqui La Hoya em Esquel: ao sul de Bariloche está a cidade de Esquel, onde há o centro de esqui La Hoya, que, mantido pelo estado argentino, apresenta as menores tarifas do país para se praticar esqui. Os preços chegam a ser 1/3 dos preços praticados no Cerro Catedral, de Bariloche. Foi aí que esquiamos pela primeira vez.

Glaciar Perito Moreno: localizado no Parque Nacional Los Glaciares, na cidade de El Calafate, no sul argentino, parece um organismo vivo; não é algo que se explica, mas que se sente. Um testimônio da última era do gelo, é uma massa de gelo gigante, oriunda do acúmulo de neve em um vale durante milhares de anos.

Foto 5: Glaciar Perito Moreno.

A Argentina foi um país que nos transmitiu muita energia e nos proporcionou várias experiências inéditas, como a marcante visão e sensação da neve pela primeira vez, e a primeira esquiada. Vivemos intensamente esses três meses de estadia!!

Viva a Argentina, e que venha o Chile!!! \o/ \o/

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