• Alan Mortean

Planta fotovoltaica de Termas de Dayman

Atualizado: Abr 7


Conhecendo o Uruguai

Uma fria manhã, após uma geada na madrugada que deixara a grama toda branca, era o cenário em que eu me via inserido, em frente à "praça da OSE", em Termas de Dayman, onde eu aguardava Manuel. Manuel, espanhol, é cicloturista e engenheiro, e está trabalhando na construção de uma usina solar de 90 hectáreas em Termas. Lhe conhecemos através da rede warmshowers.org, e dormiríamos na casa dele se não tivéssemos tido o apoio do Blue Dayman Apart.​

Manuel chegou pontualmente em seu carro, que nos levou por todo o passeio, ou visita técnica, para que eu conhecesse e Planta Fotovoltaica de Termas de Dayman (PFTD).

A PFTD é um investimento do governo uruguaio com o apoio do banco mundial, e está localizada ali por causa dos pré-requisitos preenchidos: vontade política, terra barata, parcialmente plana e sem árvores; além disso a região possui alta eficiência para a captação da radiação solar, por causa da umidade do ar (Manuel me explicou que as partículas de água atuam como lupas que potencializam a captação da radiação). Com 50MW de potência, o suficiente para abastecer cerca de 20 mil casas, a planta, que tem uma vida útil de 30 anos, se pagará em 18 anos, e toda a energia gerada é enviada diretamente para a rede.

Quando lhe perguntei sobre o potencial do Brasil para esse tipo de energia, ele disse que no Brasil é mais difícil encontrar terras planas, sem árvores e baratas, e que uma das possibilidades seria montar plantas fotovoltaicas flutuantes, em reservatórios de hidrelétricas.

Como funciona a tecnologia?

Os painéis fotovoltaicos são feitos com silício, um mineral que possui a característica de vibrar quando exposto à radiação solar; como ele está sob a ação de um campo elétrico permanente (na célula fotovoltaica), cria-se uma diferença de potencial, que gerará a energia elétrica.

Para fazer as placas, um cilindro de silício é cortado em fatias bem finas, dando origem às placas monocristalinas; com os pedaços que sobram desse primeiro corte, são feitas as placas policristalinas (as usadas na PFTD), que apresentam uma eficiência de produção de energia elétrica 15% menor.

Para captar a maior quantidade de radiação possível, no hemisfério sul, as placas devem estar orientadas para o norte; no hemisfério norte, para o sul. Por isso todas as placas, numa planta fotovoltaica tem a mesma orientação. Conhecer o “caminho” que o sol faz num terreno durante um ano é útil para muitas coisas; entre elas, para construir uma casa, mas isso é um tema para outro texto.

*Obrigado Manuel pela oportunidade da visita.

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