• Alan e Marcela Mortean

A maconha, no Uruguai

Atualizado: Abr 7


- Conhecendo o Uruguai

Estávamos esperando uma oportunidade para perguntarmos a algum uruguaio sobre a legislação da maconha aprovada durante o governo de José Mujica, e essa oportunidade apareceu em Paysandú, na casa de Cólo e Camila, usuários da Canabis.

Cólo nos explicou que a lei prevê três maneiras dos usuários obterem a erva:

  • Plantando. Uma pessoa numa casa pode ter até 6 plantas, apenas para o consumo próprio, ou seja, não pode vender.

  • Comprar numa farmácia. O usuário poderá obter em farmácias até 50g da erva por mês, o que, segundo Cólo, é uma quantia suficiente para quem fuma diariamente. A produção e distribuição da marijuana passa a ser um monopólio estatal, e o preço seria parecido com o preço praticado hoje nas “bocas”; porém a qualidade será muito maior, pois serão vendidas as flores, que são as melhores partes, ao passo que a das “bocas”, chamada “prensada” é uma mistura das flores com outras partes menos nobres da planta, e geralmente é produzida sem levar em consideração tempos de secagem e cura.

  • Participar de um clube de cultivo de marijuana. Nesses clubes, que poderão ter até 100 membros, os sócios poderão se organizar para cultivarem para o consumo do grupo. É o mesmo princípio da maneira 1, a diferença é que o cultivo é feito em grupo.

Para poder beneficiar-se da lei, cada usuário deverá registrar-se junto ao governo e optar por uma das três maneiras de consumo. Apesar das leis já terem sido aprovadas, ainda não estão em prática, com exceção da maneira 1.

Através dessa iniciativa, pioneira no mundo, o estado uruguaio pretende controlar o mercado da marijuana, conhecendo o número real de usuários no país, diminuindo o tráfico de drogas e o poder dos traficantes. Além disso, canalizará para si esses recursos que antes iam para o mercado negro e diminuirá a chance dos usuários irem pra “boca” comprar maconha e saírem de lá com umas pedras de crack (que aqui no Uruguai chamam de “pasta base”), que são mais baratas e perigosas.

Apoio a iniciativa, pois a política de combate às drogas não conseguiu inibir o consumo de substâncias ilícitas em nenhum lugar do mundo. A ilegalidade favorece pessoas que detém muito poder, que produzem e vendem as “drogas”, ganhando milhões, bilhões com seu comércio todos os anos; favorece também a indústria de armas, que ganha seus bilhões anualmente vendendo equipamentos para os dois “lados”: os governos e os traficantes.

Se é para proibir e combater drogas, pergunto: por que não proibir e combater o tabaco, o álcool, o açúcar branco, que viciam e matam milhões de pessoas em todo o mundo todos os anos?

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