• Os Antípodas

O Futuro

Atualizado: Abr 15


Este texto escrevi em janeiro de 2012, enquanto estava em Cuba e fazia trabalho voluntário pela internet para uma ONG de Belém-PA, chamada Fundação Villas-Bôas.

Quem já pensou no próprio futuro? Quem já se perguntou “...bem... cheguei até aqui, e agora?” Acho que todos já fizemos essas perguntas, e, se você AINDA não as fez, fará em algum momento de sua vida.

Estamos sempre pensando no nosso futuro: quando escolhemos um curso superior ou técnico a freqüentar por alguns anos, quando pagamos a conta de eletricidade do mês ou quando compramos uns pães pra comer no café da manhã do dia seguinte, estamos pensando no futuro, em diferentes escalas. Meu objetivo nesse artigo é falar das minhas expectativas para os próximos meses, talvez anos, e essas reflexões surgiram de duas perguntas cruciais: “Qual o objetivo de minha vida?” e “O que espero do meu futuro?”

Não tenho a pretensão de mostrar um caminho para os outros seguirem, mas um para eu mesmo trilhar. Quem sabe você se identifica com minhas experiências e ideias.

Meus últimos sete meses de vida foram um período que desconfio que irá mudar minha vida, mas, por hora, não me sinto seguro para fazer essa avaliação... Sim, porque, daqui a uns anos vou poder olhar esse período com mais maturidade e dizer de boca cheia, ou não, como esses meses... influenciaram meu futuro!

Há sete meses eu estava embarcando, com fé, coragem e esperanças, num ônibus da empresa Manoel Rodrigues na rodoviária de Ourinhos, interior de São Paulo, com destino à capital do estado, e de lá para o México. Foi a primeira vez que saí do país, fora as viagens de um dia ao Paraguai para fazer compras ;).

E o tempo de seis meses que estive no México foi tão bom quanto as minhas melhores expectativas. Tive o prazer de participar de um projeto interessantíssimo em três povoados com menos de cinco mil habitantes cada um, numa região serrana no sul do país. Uma experiência prática incrível, aprendendo sobre diversos sistemas de saneamento sustentável, com seus pontos positivos e negativos. Se você nunca ouviu falar de saneamento ecológico, banheiro seco, filtros biológicos, e termos correlatos, não se preocupe, essas tecnologias vieram para ficar, são mais sustentáveis do que o popular WC, e fatalmente vão se espalhar pelo mundo, pouco a pouco. Um dia você escutará sobre elas.

Uma coisa que me inquieta é eu não ter aprendido sobre essas tecnologias na minha universidade, tida como a melhor do país de acordo com os rankings de produção científica. Mas tudo bem, um dia ela vai chegar lá. Como esperar que a sociedade adote essas tecnologias se nem a universidade as ensina num curso focado em saneamento?

Esses sete meses foram de muitas novas experiências, laborais e pessoais; conhecimentos, amizades, músicas, danças, festas. Vi muita coisa bonita, desde paisagens naturais até cidades antigas e pirâmides pré-colombianas incríveis, comida inesquecível, pessoas especiais, que te oferecem a casa na mais absoluta confiança, sem nem mesmo conhecer-te bem... muito pelo contrário, conhecendo- te por um dia em algum evento, ou por duas horas conversando numa cafeteria.

Agora escrevo de Cuba, desde a cidade de Camaguey, capital da província de mesmo nome, região central da ilha. Sim, depois do México eu vim a Cuba; era meu sonho conhecer este país, que é uma lenda. Agora já me sinto melhor preparado para falar sobre ele. Em postagens futuras falarei das minhas impressões sobre essa ilha especial.

Acho que já usei muito espaço falando do passado. É que não há como falar do futuro sem observar o passado e o presente.

Nesse momento na minha vida, fiz 25 anos há quase um mês, me sinto como num cruzamento que há aqui em Camaguey: há simplesmente sete ruazinhas que convergem para um mesmo ponto. Imagina se alguém pensar em colocar semáforos lá? O bom é que o trânsito é de bicicletas, bicitaxis, pessoas e charretes majoritariamente. Sinto-me num cruzamento, pois vejo muitas opções de caminhos a seguir, várias possibilidades a serem descobertas. Conheci tantas pessoas da América latina, tantos contatos, obtive tanta informação nova; e, agora, carregando esse saco de novidades, vou retornar ao Brasil. Aqui, às vezes dou uma olhadinha em algo que tem nele, mas, chegando ao meu país, vou abri-lo, organizá-lo e colocar tudo na minha cabeça.... ou será que deveria simplesmente deixar da maneira que está e colocar na minha cabeça assim mesmo, sem organizar? No México, uma grande amiga me desaconselhou tentar organizar tudo isso.

A pergunta inevitável que me faço é: o que eu vou fazer agora? Nem pra escolher minha carreira na universidade eu tive tanta dúvida... pois eu não tinha muita informação. Que loucura! Escolhi minha profissão lendo o Guia do Estudante! Hahahah... mas deu certo, de qualquer maneira. Apesar de me graduar engenheiro ambiental, acho que tenho mais vocação para a parte de humanas e sociais, e me sinto capaz, em minha profissão, de preencher essa lacuna, trabalhando com comunidades, sentindo que estou contribuindo para um impacto social positivo, além do ambiental.

Esse é um início de resposta, né? Vou tentar ser mais direto, pois esse texto está me aclarando algumas coisas.

Eu quero trabalhar com algo que cause impactos socioambientais positivos na sociedade, através da atuação em comunidades. E descobri no trabalho voluntário grandes possibilidades de conciliar essas duas coisas. Mas aí você pode pensar: e o dinheiro? Pois é: não posso fazer trabalho voluntário para sempre, você está certo. Mas acredito que a experiência de vários trabalhos voluntários pode me abrir muitas possibilidades. Eu não sou hipócrita para chegar aqui e dizer que o dinheiro não é importante. Claro que é. Isso é tão verdade que o fator econômico é um dos tripés da sustentabilidade (social, ambiental e ECONÔMICO). Podemos dizer, então, que por enquanto sou insustentável, hehehe, mas com experiência vou alcançar a sustentabilidade. Mas também o dinheiro não está no meu centro de atenções. Podemos discutir horas sobre o que é supérfluo e o que não é: na minha vida ideal vou ter uma bicicleta e transporte público para me locomover, nada de carro na garagem. Quero poder me alimentar bem, ter um lugar confortável para viver, ter acesso a saúde e acesso à cultura.

Sim, me vejo trabalhando com a Fundação Villas-Bôas (FVB) na Amazônia, Ilha do Marajó, ou, quem sabe, no semi-árido nordestino. A FVB possui pessoas comprometidas com seus ideais e, em minha opinião, é questão de tempo termos um projeto sendo aplicado em comunidades, para iniciarmos nossa expedição pelo Brasil.

Eu não tenho nenhuma reclamação de minha vida, ela é ótima: uma família equilibrada, pais que me apóiam, tive acesso a educação de qualidade, além dessa grande oportunidade de passar mais de meio ano fora do país, aprendendo.

Acredito na lei de ação e reação, assim como na frase do tio Ben, o tio do Homem-Aranha: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, que é uma versão atual da frase “A quem muito foi dado, muito será pedido”, de Jesus. Por isso, sei que ainda tenho muito a fazer, para retribuir ao mundo tudo o que recebi da vida.

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